Não tenho escrito. Às vezes, sinto vontade de escrever mas
nada do que escrevo faz sentido. Só me saem frases desconexas, e em vez de me
assentar ideias, só me confundo mais.
Como neste texto.
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Há dias atrás recebi uma mensagem de madrugada que dizia: Não consigo dormir longe de ti. Fiz o que
pediste, tentei, mas simplesmente não consigo. Viajei a noite toda para ver o
nascer do sol nos teus olhos. Dá-me só uma oportunidade, não peço mais.
Derreti. É cliché eu
sei. Mas derreti.
Desde então que nada parece real. Não me soa a real que alguém
abdique de tanto só para estar ao meu lado… até porque tenho a certeza que não
faria o mesmo. Continuas igual… deves
estar tu a pensar. Fria e distante. Erro. Eu derreto-me a todas as horas. É
involuntário e quase comovente. Não sei o que estou a fazer, nem o que está a
nascer… mas limito-me a aproveitar cada segundo.
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Decidi não pensar sobre isto. Decidi viver. Aqui está a tua
resposta. Eu estou a viver. Cada segundo, cada dia e cada noite. Decidi ceder
aos impulsos da minha alma e do meu corpo. Decidi ceder aos olhares quentes.
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Ele não sabe sequer que foram precisos vários dias longe
dele para me decidir. Ele continua a ignorar completamente o facto de eu não
saber sequer o que temos. Para ele tudo é certo. Quer estar e está. Ele não sabe
que enquanto tenta pôr o trabalho em dia no computador, eu estou aqui, no meu,
a tentar lidar com todas as novidades que ele me trouxe. E sorri. E os olhos
dele questionam-se sobre o que estou a fazer, mas não o verbaliza. Ele sabe o
quanto gosto de preservar estes pequenos segredos.
Talvez seja isso que mais me agrada. O facto de eu poder
continuar a ser eu mesma. Poder continuar com os meus projectos, a minha casa
nesta invicta que já é minha, os meus fins-de-semana sozinha na praia, a minha
vida. A vida que escolhi depois de ti.
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Não me põe limites. Limita-se a gostar de mim… com todos os
defeitos que me apontavas quando foste embora.
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Agora ele está aqui, bem pertinho. Mas eu sei que quando o
trabalho o levar para longe de mim, de novo, e se a saudade apertar, os quilómetros
que nos separam tornam-se míseros metros para ele. E isso agrada-me. De novo. A
ideia de que nada é demasiado longe quando o que está do outro lado é algo que
desejamos tanto.
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E o desejo é muito. Talvez tenha sido apenas esse o início
de tudo. Talvez seja isso que o traz de madrugada para o meu lado. Mas agora,
que ele me sorri do outro lado da sala, eu sei que não foi só o corpo que o
trouxe aqui.
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Ele continua a sorrir enquanto trabalha. Tem paixões além de
mim. E nunca isso me pareceu tao certo.
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Não minto que a ideia de continuidade, de unidade, me
assusta. Não minto que ainda não me habituei a essa ideia. Não minto que o medo
de que ele, um dia, se torne em ti me faz dar dois passos atrás quando ele
pensa muito a frente. Mas não te vejo nos olhos dele. E isso tem-me bastado.
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Eu sabia que não devia postar nada disto. Mas tive uma
vontade urgente de escrever. E sei que, um dia, todas estas frases, ainda que
desconexas, me vão fazer muito sentido.
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