Mantenho-me sentada e em silêncio enquanto o vejo arrumar a mala. Assisto impávida ao desfile de palavras que saiem da sua boca...ir. voltar. ficar. enviar cv's. vida comum.
Ele não percebe, ou finge não perceber, que não estou a assimilar nada do que me diz.
Talvez me tenha tornado em tudo aquilo que tu dizias que eu era. Fria, distante... Mas ele parece não querer abrir mão de mim.
Ele já foi. Eu já estou a derreter por dentro. E o meu corpo já implora que volte.
Não há um único dia, ou sequer um par de horas em que ele deixe de dizer alguma coisa. E ás vezes é como se nunca tivesse ido embora.
E o medo da proximidade, que a todo custo evitei, transformou-se numa necessidade.
O pior de tudo isto... é que ele já tem viagem programada de volta. E da próxima vez, não sei quanto tempo demorarei a ceder à tentação de lhe dizer que sim.
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