Foi a uma quinta-feira. Estava em aulas, mas com a cabeça a viajar... como se adivinhasse que também em mim pensavas.
Sei, precisamente, a hora, a sala onde estava, o que tinha vestido, calçado, a cor do meu caderno...
De repente: "Quero-te tanto..."
Lembro-me, como se fosse hoje, do arrepio na espinha, do chão a sair-me dos pés, das borboletas no estômago, de todo o turbilhão de emoções que senti quando recebi aquela mensagem.
Felizmente, naquela altura, não tínhamos redes sociais, não havia vídeo-chamadas... pensei que o ideal seria não te responder, porque sabia que qualquer coisa que eu dissesse me ia fazer parecer o que eu era... uma miúda apaixonada, a quem haviam roubado descaradamente o coração.
Naquela altura, para mim, aquilo era o expoente máximo do amor. A paixão era amor. Não era. Hoje sei-o. Nunca te amei... quis-te desmesuradamente, mas nunca te amei.
Gostavas da inocência da minha inexperiência... querias-me tanto pela minha incapacidade de diferenciar esses sentimentos. A verdade é que eu própria também te queria tanto porque não conhecia mundo.
Hoje conheço mundo. Não conheço todo o mundo. Mas conheço mundo. Mais mundo além dos 9 km onde me fizeste suspirar.
Será que me continuarias a querer tanto, se conhecesses o mundo com os meus olhos? Será que me querias mais hoje, que vejo a vida sem a inocência daquela idade? Será que conseguiste querer tanto alguém, depois de mim?
Quando preciso de um boost de auto-estima, lembro-me daquela quinta-feira em que tu, a kms de distância, não conseguiste guardar, para ti, o tanto que me querias.
Se soubesses o tanto que te quis, se soubesses a "sorte que era a tua".
A nossa história foi um circo de feras, e só nós os dois sabemos disso.
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