terça-feira, maio 26, 2015

- "Contigo, eu sou feliz. Mesmo feliz." - disse ele. 
Ela deixou-se estar, envolvida pelos braços dele, enquanto saboreava cada uma daquelas palavras. Sentia-se mulher. Sentia-se completa. Sentia-se responsável por aquele brilho nos olhos. Sentia-se feliz. 
Não é possível descrever a felicidade. Sente-se e pronto. Ele disse-o, como um desabafo, disse-o como quem não aguenta mais guardar aquele segredo. E ela percebeu que a felicidade por que tanto tinha lutado, todos os esforços das relações anteriores, as tentativas desmesuradas de agradar este ou aquele, tinham sido perfeitamente desnecessárias. 
Ali estavam, depois de um dia de trabalho, ele cheio de calor do fato e gravata que o aperta, e ela com os pés desgraçados pelos saltos altos. Ali estavam, cansados, moídos. Ela sem vontade de ir fazer o jantar, ele sem vontade de se mexer do sofá. Puxou-a para ele e limitou-se a constatar o óbvio... que eram felizes. Que a vida que tinham escolhido, apesar dos altos e baixos, era o suficiente para se sentirem assim. 

Nessa noite não jantaram. Ficaram ali, envolvidos na verdade mais bonita que algum dia tinham experimentado dizer. 

Nenhum comentário: