Quando me deitei ontem, senti uma dor profunda que me invadiu todas as veias do meu corpo e quase me fez parar de respirar. Algo que me fez levantar de novo e ir mexer na caixa maldita que fechei há um ano. Pus lá todas as nossas lembranças... todas as nossas fotografias, todos os nossos recadinhos, as cartas, os bilhetes de cinema... Afinal, ainda sem chorar por ti. Um choro sofrego que acordou a minha mãe. E não sei o que me doeu mais naquele momento... se o meu sofrimento, se a a angustia nos olhos dela. Parei, disse que foi só um momento menos bom e que tenho direito a ter as minhas saudades, mesmo que sejam absolutamente infundadas. Ela ralhou comigo como quem dá um consolo... Acho que ganhou essa compaixão pelo meu amor por ti. Diz-me para seguir em frente, para te esquecer, compara-te com os outros todos e diz que não perdi só... que tenho de parar de chorar por ti, que tenho de tentar sobreviver-te... Fala-me de tudo o que conquistei, fala-me dos olhos dele a olhar pra mim e da paixão que ele sente, diz-me que nem sempre temos de amar logo alguém à primeira vista, que temos deixar que nos amem...
Tornei a deitar-me. Pela primeira vez na vida, senti as palavras da minha mãe a entrarem-me por um ouvido e sairem por outro. Eu já segui em frente, obrigada.
Amanhã faço anos. E quando penso na melhor prenda que podia ter, digo baixinho...vem rápido, o meu amor por ti está a desaparecer e eu já não tenho mais caixas para abrir...
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