Amores de verão enterram-se na areia, insisto eu para não me magoar. Ou magoá-lo.
Mas que razões tenho eu pra te esquecer? grita ele bem baixinho ao meu ouvido.
Há dias em que acho que isto que está a surgir é só fisico. É quimica, união de corpos, pura resposta aos impulsos do prazer.
E sim, é fisico. Também.
Porque a meio da noite, quando ele me agarra pela cintura, me olha nos olhos, e discute suavemente a continuação do que temos... há um calor que me invade o corpo. Um calor que já não vem de um sangue que ferve quando ele me toca. É um calor outro. Um calor de proximidade, de segurança, de querer ficar, de não querer abrir mão.
Não... não há ainda profundidade naquilo que eu sinto. Acho eu.
Talvez em mim tudo ainda seja uma secreta vingança pelo que passei. Eu não lhe escondo isso... assim como ele não me esconde que não sabe quanto tempo mais pode ficar. Mas sabe que quer ficar. Comigo. E sabe que o verão é demasiado curto para nós.
E eu tenho tanto medo de não querer que isto acabe.
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