domingo, agosto 12, 2012

Ele não se cansa. Diz que quer ficar, e que não arreda pé, que não quer ir a lado nenhum.
Eu falo dos meus defeitos.
Começo pelas minhas estrias... aquelas com que fiquei por ter ganho corpo de mulher tão cedo. Das gordurinhas aqui e ali. Dos primeiros cabelos brancos. De como sou demasiado baixa para usar sapatos baixos ou de como me acho demasiado alta para andar de sapatos altos ao lado dele, ainda que ele seja sempre mais alto que eu. Falo das minhas parvoeiras e dos meus pseudo-problemas. Não, não me esqueço de referir as minhas incompetências como namorada, aquelas que tu repetias vezes sem conta que ninguém aturaria.
Mas ele não sai daqui.
Ele não quer ir a lado nenhum.
Digo-lhe que estou demasiado destruida emocionalmente. Que tenho um coração rachado, com demasiados buracos e emendas. Ele ri-se. Falo-lhe de mim, contigo. Ele ignora. Ao que parece, o meu passado não lhe interessa. Tu não lhe interessas.
Depois menciono a minha falta de tempo... mas ele não pensa em horas, dias, semanas. Fala de momentos, e de uma vida inteira. Não percebo.

Eu tento dissuadi-lo, em todas as conversas. Mas ele está aqui. Por opção própria.

A mesma opção que te fez ir embora.

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