Passa-lhe a mão pelo cabelo, e diz-lhe já volto…corre com aquele bocado de madeira na mão e vai para o mar tem um encanto especial, sempre teve, sempre há-de ter. E ela fica ali a espera, fica sempre a espera.
O mar foi o que os uniu, e na areia se uniram numa madrugada que só acabou com os raios da manhã. Amo-te. Repetiam vezes sem conta um ao outro. Só o tinham dito um ao outro. Juraram só o dizer um ao outro. É impossível que algum dia alguém me venha a completar como tu. Conheciam cada parte do corpo um do outro. Conheciam cada parte da alma um do outro. Pouco falavam. Pouco precisavam de falar. Não digas, já sei o que estás a pensar. Os amigos achavam-nos patéticos. Faziam um par demasiado perfeito para ser verdade. Mas para eles isso era uma das verdades absolutas.
Hoje o já volto fê-la pensar… não o queria largar por nada, amor e uma cabana, mas muito friamente, já não tinham idade, tinham de pensar para além do horizonte que o olhar conseguia alcançar…
Mas não sabia se ele pensava o mesmo, a minha felicidade és tu e o mar, nada mais lhe interessava. Tinham criado um mundo próprio onde ambos viviam. Mas de onde ela hoje tinha pensado sair. Sentia-se culpada por pensar assim. Como se o traísse, por pensamentos, actos e omissões, não…não podia dizer-lhe. Mas hoje depois de um já volto dele, era ela que pensava partir, era ela que queria ir conhecer o além horizonte, queria conhecê-lo com ele. Mas ele não queria ir. Disso ela tinha a certeza. Um facto era que ela o amava. Um facto é que ela hoje o tinha traído, por pensamento... e que ele se tivesse tentado adivinhar o pensamento dela…ela o ia negar!
(*to be continued)
Um comentário:
A coisa mais patética que conheço é duas pessoas que se amam, permanecerem separadas!
(Mas sim, eu sei que sou louco! E conheço quem seja pior e se atraiçoe a si mesmo...)
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