Meu amor,
vou sem saber para onde o vento me leva.
gosto tanto de ti e de estar em ti.
amo-te, hoje e sempre, mesmo que o destino nos separe.
escreveste este bilhete e escondeste-o no meio dos meus livros para que o descobrisse um dia, sem querer. só colocaste o ano, como quem o diz porque sente eternamente.
depois de o escreveres, e depois do encontrar, juraste-me amor centenas de vezes, e foste embora na mesma proporção.
não deixaste que o vento te levasse... até porque sabes que o teu vento te trará sempre de volta aqui. decidiste ficar no sítio onde ninguém te questiona, onde ninguém te pergunta por mais, ou não és obrigado a experimentar emoções que ultrapassam o normativo. escolheste o óbvio, mesmo que me jures sempre que não é uma escolha, bem pelo contrário.
o amor que escreveste, e que te peço todas as vezes para o negar, voltaste a jurar na semana passada, momentos antes de fechares a minha porta (que há muito foi trancada pelos pedaços em que deixaste o meu coração) - logo antes de voltares ao sítio onde se forma a tua família.
hoje, horas antes de te escrever isto com os pedaços do meu coração colados com pasta de papel, pegaste ao colo aquela que será a mulher da tua vida. aquela que não sou eu, aquela que não veio de mim, que não é fruto do amor que deixaste espalhado pelas minhas paredes e pelos meus livros.
hoje, o teu amor por mim perderá sentido, e seguirás, efectivamente, ao sabor do vento. hoje, o destino separa-nos de vez. por ela, por ti, por vocês... nunca mais me irás jurar amor, e os pedaços do meu coração vão sair detrás da porta, para me calarem o peito e me entupirem os ouvidos, para que nunca mais na vida me seja jurado por ti um amor que não viveste.
nada do que tivemos existe.
nada do que sentimos aconteceu.
tudo perde sentido com a chegada dela. a mulher da tua vida nasceu. eu morro hoje na tua história, e sinto-me tão pequenina quanto as minúsculas que uso em todo este texto.
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