Na travessia dos meus dias, depois do vírus ter saído do meu corpo, e de a minha casa voltar a ter 4 pilares, deito-me com a certeza que foste o homem que mais me amou.
Nesta travessia, foram vários os dias em que chamei por ti, e desejei que fosses tu a pôr-me a toalha fria na testa, a pessoa que segurava o meu cabelo para vomitar este mal silencioso que me consumia o corpo, as mãos que me seguravam no banho... De que serve o teu amor? De que me serve a certeza do teu amor?
Durante a travessia, o teu amor arrancou-me sorrisos e lágrimas... e a tua ausência criou-me a esperança de que não seria um vírus que me mataria... Depois de ti, e sem ti, o que tem o poder de me matar?
Aproximando-se o fim da travessia, percebo que ainda estou sozinha no futuro dos meus dias finais... E que não sou eu que estou no futuro dos teus últimos dias. E sabes que mais? Tenho a certeza que eu seria a pessoa que tu querias ver antes do teu último suspiro... Porque eras tu que eu queria a segurar a minha mão no último estremecer do meu corpo.
Mas é para isto que servem as travessias. No fim, nada é como começou. Lá estaremos, e lá veremos.
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