Magoei-me sozinha.
Senti, de novo, a adrenalina boa e má da paixão insana - boa, como todas começam, e má, quando parecem que acabam.
"acabam": acho que é a primeira vez que escrevo isto, nos últimos meses.
Gostava que soubesses que, para mim, isto hoje acaba. Não há mais nada em ti que me peça água. Não há nada em ti que me dê calma.
Demorei todos estes primeiros dias do ano para perceber que, por ti, só sinto tempestades... e há muito que eu tinha decidido que não queria viver furacões, que precisava do sabor ameno de um amor sereno.
Por ti senti, de novo, uma tempestade. A culpa não é tua, é minha: magoei-me sozinha.
Nunca o saberás - nem do início, nem deste fim. É tudo fruto do platonismo da minha alma.
Hoje lambi as feridas, e recuperei os olhos que me dão calma, que me trazem o sossego, que põem água fria na minha quente insatisfação crónica.
Não é uma escolha, é amor.
Hoje lambi as feridas, fechei as portas, dividi um copo de vinho e uma manta, e recuperei a magia do olhar que me não me dá pressa de viver, que me faz querer ficar. Sem medo.
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