Voltei aos livros que lia para afastar a tua ausência. Para compreender a dor de um coração partido. Para encontrar a parte boa daquilo… A inspiração para escrever.
Foi pura coincidência - passaram-me pelos olhos no momento em que procurava outro livro na prateleira. Por momento (breves) apeteceu-me voltar a lê-los.
Tu fazias-me escrever. E era essa a tua melhor qualidade. Não tinhas tempo para as minhas lamúrias, não querias saber delas. Então eu escrevia. Escrevia e afastava os demónios que deixavas em mim quando desaparecias.
Há muito que não sabia de ti. Encontrei a serenidade de um amor correspondido… E deixei de escrever.
Porém, aqui estou. A ler os mesmos livros e a escrever.
Ontem vi-te (outra coincidência). Estivemos à distância de um abraço. Várias vezes tentaste olhar-me nos olhos, na esperança de neles veres a miúda que nunca se lamuriava perante ti… talvez na esperança de encontrares a mesma paixão adolescente, que curava a tua ausência com duas páginas em branco, e um beijo roubado ao por do sol.
Connosco era só prazer, não era?
Fazia sentido, não fazia?
Outrora não me irias responder a nada disto. Nunca te quiseste comprometer… nem a falta de compromisso te agradava. Querias-me tua, só tua. Mas não querias ser só meu.
Eu aceitei, respondi às minhas perguntas sozinha, matei os demónios, mudei as rotinas e segui em frente. E valeu a pena… se valeu a pena.
Gostava que soubesses, um dia, o sabor doce de um amor sereno. Sabe às pastilhas de morango que comias para afastar o travo amargo do tabaco.
Tenho saudades do cheiro do cigarro no fim dos nossos encontros, quando te despedias com um “até logo” que durava 5 dias.
Todas as quintas-feira lembravas-te de mim… mandavas uma mensagem com parte de uma música que eu adorava… e eu esquecia os pesadelos que inventava na minha cabeça sobre o que terias feito desde domingo… e tudo passava.
Nunca soube o que fazias de domingo a quinta. Mas o que interessava? Connosco era só prazer. E fazia sentido. Quando encontrei estas respostas, deixaste de me chegar. Deixaste de me preencher.
Obrigada por derramares sobre mim a mesma chama. Se falasse contigo, tê-lo-ia explicado… só que já não ias entender as minhas palavras. Certamente encontraste a resposta no meu olhar.
“Até logo”.
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