(Houve alturas em que suspeitei que aqui me viesses ler.
Pequenos indícios, um ou outro comentário anónimo ao teu estilo, não sei... mas convenci-me durante algum tempo que aqui vinhas.
E hoje, no desespero de te dizer algo, vim aqui desabafar... na esperança de que algum dia o venhas ler e respeites as minhas palavras.)
Deixámos de ser "nós" há três anos. Há três anos decidimos que não havia volta, que ficávamos por ali. Depois disso, sempre que tentámos ser próximos, as coisas não correram muito bem. Balancei várias vezes. E tu também. A ideia do que fomos impediu-nos de arriscar nesta ou noutra aventura porque em nenhuma delas encontrávamos o que tínhamos um no outro.
Afastamos-nos suavemente... Ambos tivemos consciência e optámos pelo afastamento.
E aí eu descobri diversos momentos de felicidade noutros braços, e tu escolheste a mulher com quem querias passar o resto da tua vida.
Ligaste-me a contar do vosso noivado e eu fiz o que me competia... Desejei-vos felicidades.
E com essa novidade veio o silêncio. Passaram-se meses e nem uma palavra, e eu juro-te que quase me esqueci da tua existência.
Há uma semana atrás ligaste-me. E no dia seguinte, novamente. E no outro. E ontem à noite foste desenterrar uma memória que nos fez sorrir a centenas de km de distância.
E é por isso que te escrevo.
Não podes procurar-nos no passado e envolver-me nessa loucura. Não podes desenterrar memórias e arrancar-me sorrisos à distância. Por mim, por ti, por eles. Nem que seja por mera recordação do passado, sem segundas intenções.
Não podes procurar-nos no passado e envolver-me nessa loucura. Não podes desenterrar memórias e arrancar-me sorrisos à distância. Por mim, por ti, por eles. Nem que seja por mera recordação do passado, sem segundas intenções.
Não fazes por mal, fazes instintivamente.
Mas o passado diz-me que somos a maldição um do outro.
Tu estás bem, eu estou bem, alguém tem que aparecer e estragar tudo.
Desta vez não quero que assim seja. Por isso te peço (através destas palavras que talvez nunca leias) revê o nosso passado em silêncio... e deixa-me com a paz do esquecimento.
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