Já passaram dois anos desde que desaparecemos. Nesse altura este blogue passou a ser escrito para ti. Porque tu não estavas, porque sentia a tua falta, porque toda a raiva que sentia aliada a um orgulho desmesurado impedia-me de te atender o telemovel... e porque a tua ausência me doía. E eu aprendi a transformar a minha dor em palavras. E assim aguentei todos aqueles dias, semanas, meses...
Fugi de sítios, de músicas, de pessoas, de tudo o que me pudesse trazer a mínima recordação de ti.
Críticas à parte, foi o melhor plano que tive... e o mais bem-sucedido.
Hoje já falamos. Terminando todas as conversas com o mesmo tom de mágoa, é certo. Mas falamos. E, tens de admitir, tens bem mais dificuldade em ficar sem falar comigo do que vice-versa. Porque eu sei ser fria e distante, tu não. Eu sei esconder os ciúmes, sei falar sobre a tua nova namorada, de elogiar a beleza dela, e de te desejar as maiores felicidades, e tu não. Tu sabes encontrar defeitos a todos os meus novos namorados e de arranjar maneira de encontrar uma coisa que com eles faço e que contigo não. Porque gostas de mim, eu sei meu querido. De uma maneira estúpida, distante e distorcida, mas gostas. Seguimos com as nossas vidas e o nosso passado ficou enterrado, mas eu ainda reconheço os contornos da tua voz, e tu ainda sabes tudo o que tou a sentir através do uso de pontos finais e virgulas numa simples mensagem.
Mas estamos onde temos de estar. Separados. Porque a verdadeira felicidade não a vamos encontrar um ao lado do outro. Alias, meu querido, quanto mais longe da vista...
A tua falta já não me causa dor. Provoca-me um sorriso. Hoje sorrio ao sentir a tua falta.
Este blogue já não é escrito para ti. Era tudo o que eu queria que soubesses hoje.
Afinal este texto foi para ti.
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