Enviaste o e-mail em Outubro. Se o tivesse lido na altura,
talvez 10 dias depois não tivesse ido com ele passar o fim-de-semana fora.
Talvez não tivesse visto esperança nos olhos dele, nem prometido pôr o passado
para trás e aceitar ser feliz ao seu lado. Não lhe tinha criado essa esperança
de futuro, porque não poderia prometer-me a alguém, quando ainda era tua. No
sentido figurado, claro. Já não existíamos há tanto tempo, não é? Mas eu ia
vacilar. Confesso. Na altura, estava bem mais frágil.
Ontem não. Não chorei. Não tremi. Não vacilei. Respondi de
forma curta, rápida e sem emoção quase alguma. Desejei-te as maiores
felicidades e até à próxima.
Cínica. Hipócrita. Falsa. Não é nada disto que sinto.
Mas agora, respondes rapidamente, espantado por finalmente
eu ter dito alguma coisa, e cheio de curiosidade, como se a minha vida tivesse
alguma importância para ti. Como se ainda tivesses necessidade de saber de mim,
da minha vida. Não. Não. Não.
Respirar fundo, bem fundo.
Estou a entrar na normalidade.
Ontem não chorei, não tremi, não vacilei. Mas à noite,
quando ele me contava o que tinha feito durante o dia… só conseguia pensar em
ti.
O esquecimento é uma coisa estranha. E começo a pensar que é
uma ilusão.
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