Ele insistiu saber o que se passava. Repetiu vezes sem conta que eu estava estranha, triste, com cara de caso. Foi insistente, como não costuma ser. Foi chato, impertinente. Tudo o que eu queria era ver o filme deitada ao lado dele. Sossegada. Calada. Queria aquele tempo para lidar com o teu recente contacto...
Fui delicada e pedi-lhe calma, silêncio, espaço. Desta vez não aceitou. Ficou furioso, como nunca tinha ficado. Parou o filme e exigiu que lhe contasse o que me atormentava.
Eu atingi o meu limite, e estupidamente saiu-me as piores palavras de sempre: "o problema é que há coisas que me provocam uma dor imensa, e tu não consegues apagar a dor que ele me causou."
Ele olhou para mim com o olhar mais triste de sempre. Virou costas, pegou nas coisas dele e saiu. Mais tarde mandou-me mensagem a dizer que não tinha poderes para apagar o passado.
Fiquei sozinha o resto da noite. A odiar-me por magoar a pessoa que melhor me tem feito nos últimos tempos, mas perfeitamente aliviada por finalmente ter desabafado aquilo.
Quando a tempestade passou, senti uma falta enorme de dormir agarrada a ele. E liguei-lhe a dizer isso mesmo. Senti que ele sorria do outro lado da linha, e fiquei aliviada.
Não vais afectar-me mais. Não vais afectar-me mais. Não vais afectar-me mais. 1,2,3.
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