sábado, setembro 15, 2012

Ele estava prestes a chegar e eu estava decidida. Decidida a terminar tudo, a romper com o compromisso que nunca fizemos mas que sentimos, a acabar com ele. Com a pessoa que melhor me tem feito sentir nos últimos tempos.
 
Decidi de cabeça fria, de coração ao lado, racional e friamente. Para me proteger. O medo de acordar um dia e perceber que ele pode ser como tu, congela-me. Aterroriza-me a ideia de que ele me vai enganar com falinhas mansas, noites quentes, que me vai fazer quere-lo para o resto da minha vida, e que um dia, sem aviso prévio, me vá mostrar ser uma pessoa totalmente diferente. Como tu.
 
Não estou preparada para sofrer de novo. Não quero passar por nada igual ao que passei contigo. E é no momento que penso isso que me vem a celebre frase do "mais vale só que mal acompanhada". E portanto decido... Vou terminar tudo. Ele não vai sofrer nada, porque os homens são todos iguais, e vai passar-me à frente, meter-se com a próxima que aparecer, porque é tipico, e porque é normal, e porque todos os homens são assim. Concentro-me nessa ideia para que tudo seja mais fácil.
 
Ele chega, manda-me mensagem para descer e o ajudar com as coisas... Abro a porta e lá está ele, numa mão traz uma mala cheia de trabalho, na outra a prancha de surf e três flores que diz ter apanhado numa estrada por onde passou. Está com o ar mais cansado deste mundo, e mesmo assim fez dezenas de quilómetros para aqui estar. Pergunta-me o que tenho, que cara é aquela... e eu digo: Não suporto mais ter-te tão longe.
E ele pede-me desculpa. E eu odeio que ele me peça desculpa, sendo que quem tem toda a culpa sou eu. Sou eu que duvido de tudo, sou eu que tenho medo, fui eu que estive todo o dia a pensar no que ia dizer para mandá-lo embora, e agora... não sou capaz. Nem quero ser capaz.

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