Temos sempre de acabar mal.
Não consigo desligar-me do teu presente. E tu ignoras o que eu já conheci desde que foste embora.
Ignoras que eu tenha experimentado pessoas diferentes, que me tenham agradado outros gestos. Ignoras o sabor de outros beijos, o toque de outras mãos, a protecção de outros braços.
Mas o que mais me chateia é que continuas a ignorar o facto de eu ainda aqui estar. De ser a mim que ligas para contar as novidades e de eu te atender com o melhor dos meus tons.
Ignoras o que nos une, porque buscas a perfeição. Ignoras a pessoa que sou, que já não é a mesma que deixaste.
Eu vivi todos estes meses. Ainda que tenha sentido a tua falta, todos os dias. Mas vivi, sorri e esforcei-me por conhecer tudo o que era diferente de ti.
Temos sempre de acabar mal?
Por mim já chega.
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