quarta-feira, julho 04, 2012

Ontem acabei mais uma etapa da minha vida. Com um sucesso que jamais esperei ter. Em segundos, todo o sacrifício de me sentar todos os dias ao computador, de escrever e apagar aquela tese mil vezes, a luta com os caracteres, a preocupação em escrever correctamente e bem, valeu a pena. Valeu a pena também ter-me levantado naquela manhã e me ter obrigado a fazer a tese, mesmo que tu já não estivesses. E soube-me pela vida perceber que aquilo não teve um dedo teu. Não teve nada teu. Tu não estiveste nesta difícil caminhada, não estiveste ao meu lado quando eu quis desistir, não me deste alento, nem coragem, nem força nem motivação naqueles meses. Tu não estiveste. Tu estavas na outra vida que escolheste, naquela vida pela qual trocaste tudo o que tínhamos, naquela vida em que me deixaste quando eu mais precisava de ti. E de repente, não te sinto qualquer rancor por isso. Nem a raiva que me assolava o espirito todos os dias que me sentava a fazer correcções, a ler e reler e a tentar encontrar defeitos, quando percebia que tu não estavas para me ajudar, mesmo sabendo que nunca te abandonei quando precisaste. Perdoa-me as palavras, mas aquilo é mesmo só meu. É a prova para mim que consigo fazer algo, de excelência, sem ti.

E estas palavras servem para que saibas que, mesmo não precisando de ti, todos os dias em que construi aquela obra, foste tu que estiveste no meu pensamento, ainda que por vezes pelas razoes erradas.

E ontem, quando uma felicidade que há muito não senti me invadiu a alma, procurei por ti em todos os rostos com que me cruzei. Porque o homem que em tempos me amou o suficiente para querer dividir a vida comigo, ontem, teria ficado imensamente babado e orgulhoso e teria pensado aquilo que pensei: Nós temos tudo, mas mesmo tudo, para ser as pessoas mais felizes deste mundo. Juntos.



Porque já o fomos. Mesmo quando não tínhamos nada.

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