O tempo passa e as coisas que tinhamos certas na nossa vida mudam. Deixamos de querer desesperadamente um conjunto de coisas... e muitas delas já não encaixam na nossa ideia de felicidade.
O tempo passa, e há dias em que nem sequer sei enumerar o que me podia fazer gritar de alegria.
O tempo passa... e as coisas que realmente nos deixam felizes são pedaços de nada, minutos aparentemente normais, olhares mais demorados.
O tempo passa, e só este meu amor por ti insiste em ficar. O tempo passa, mas tu já não estás, nem eu. O tempo passa e já nem eu sou eu.
Não, tu já não sabes quem eu sou... o tempo passou e eu já não sou a miúda que ficou a chorar no tapete do quarto quando tu foste embora... Já não sou a miúda que sonha com o T1 na capital e com as promessas a longo prazo. A única coisa que o tempo conservou foi este amor, para nosso mal.
O tempo passa. O amor fica. A saudade instala-se. E ainda assim, nenhum de nós quer voltar atrás.
Louca.
Sim, o tempo trouxe-me esta escondida loucura que ninguém vê. Esta loucura de escrever.
De escrever que mudei por tua causa, que estou mais velha, mais bonita, mais inteligente e mais madura.
De escrever que não me ias resistir se passasses por mim na rua.
De escrever que ainda te amo.
De escrever que, as vezes, no escuro da noite, a minha pele implora o teu toque.
Esta loucura de escrever que o tempo passou...
Sim, o tempo passou. E esta loucura tornou-me o ser mais lúcido de sempre.
Ias espantar-te com a minha lucidez.
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