Hoje encontrei, por acaso, a folha onde escrevi tudo o que queria pôr na tua fita de curso. Espero que ainda a tenhas, e que sorrias enquanto a lês. Eramos felizes nessa altura, é das poucas certezas que tenho.
Sempre tive uma imensa dificuldade de escrever uma dedicatória a alguém... temo não acertar nas palavras, de parecer demasiado fria, ou ao invés, de parecer demasiado sentimental... Ainda mais quando se tratava da fita de alguém que eu amava tanto... foi quase uma tarefa impossível. Daí ter posto numa folha tudo o que queria dizer. Comecei pelo poema que melhor descreve o que tivemos:
Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
te odeio sem fim, e odiando-te te rogo,
e a medida de meu amor viageiro
é não ver-te e amar-te como um cego.
te odeio sem fim, e odiando-te te rogo,
e a medida de meu amor viageiro
é não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro,
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.
seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.
A verdade é que te queria, a sangue e fogo. A verdade é que ainda hoje, mesmo tendo alturas em que "te odeio sem fim", continuo a consumir-me neste sentimento que não existe mais.
Como é obvio, não relatarei o restante que escrevi... deixo isso para o "nós" que morreu, e que me visita nos sonhos. Até lá.
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