"É raro conseguir dormir uma noite seguida, é raro não acordar de madrugada e sentir no ar o teu cheiro. Depois desse sobressalto, às vezes a meio de um sonho contigo, um sonho em que conversamos ou passeamos por outras cidades, o sono tarda em voltar e é nesses momentos que me sinto mais triste e revoltada por teres construido um muro cada vez mais alto entre nós.
O que domina essas madrugadas de tristeza e solidão é um langor triste que antecede o esquecimento, como o último suspiro de um pássaro que prefere a morte à imobilidade.
O teu silêncio tomou-me os dias e todos os dias tento aprender a viver com ele.
Tento convencer-me de que, como todos os homens, és livre e podes escolher o que queres para a tua vida, mesmo que isso implique eu não fazer parte dela. Nunca saberei quando tomaste a decisão, nem porquê. Não sei o que é amar alguém e desistir desse amor, por isso tento não pensar naquilo que me é impossível entender, que é alguém ter o amor entre as mãos e deixá-lo escorregar como água."
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