Lutámos todos os dias contra a improbabilidade do que sentiamos. Abdicámos de pessoas, gostos e rotinas, e construimos novos hábitos - se foi esse o nosso erro, não sei. A única coisa que tenho a certeza é que o fim custou-me bem mais do que qualquer batalha que eu tenha travado no inicio para ficarmos juntos, e novamente, contra todas as probabilidades.
Jurei nunca mais ver-te, falar-te, e criei rotinas de desabituação para não ter hipotese de sequer cruzar-me contigo. Cheguei a sentir-te ódio, e confesso, não sei desprender-me de tanto rancor... mas repara, muitas das vezes são as saudades a falar.
Simplesmente não consigo lidar com o cinismo de uma amizade que nunca tivemos - caso contrário não nos teriamos magoado, como fizemos.
Entre nós tudo sempre foi amor ou ódio, não houve meios termos, nem a pieguice do consenso. Ou tu tinhas razão ou eu tinha razão. Talvez tenha sido também esse o nosso erro... pois, não sei também.
Acho que tudo aconteceu inesperadamente, sinais do destino ou coisa que o valha. Acho que muitas das vezes as coisas ultrapassa-nos. Porque esta merda do amor-ódio, impede-me de te querer ver, mas não me impede de te responder. Esta merda do amor-ódio impediu-te de ficar, mas não te impede de ficares contente com a possibilidade (remota, garanto-te) de ter de me cruzar contigo todos os dias.
Não tenho culpa, não tens culpa. Não temos culpa - habituei-me a dizer que são coisas do destino. Contra todas as nossas probabilidades lógicas, tal pode de novo acontecer. E de facto, não temos de rezar para que tal não aconteça, temos é de rezar para que, contra todas as probabilidades, as nossas vidas se cruzem de novo.
Porque eu não quero deitar tudo a perder de novo. Porque quase te limpei do meu organismo. Porque, apesar de ser a favor da liberalização das drogas rascas ou leves, não posso continuar a usá-las para me livrar do verdadeiro problema - que desde o inicio fomos nós a contrariar as estatisticas.
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