Porque nos achamos nós capazes de avaliar a vida um do outro se nunca fomos capazes de lidar com a nossa vida?
Porque é que desistir de nós foi tão fácil... E agora não consegues simplesmente desistir de mim, nem eu consigo simplesmente desistir de ti? Mesmo que ambos tenhamos a perfeita noção que o passado ficou lá atrás e que estamos muito melhores com as nossas vidas.
"Lamentavelmente as memórias não se apagam." Mas também não estão nos números de telemóvel, nem mascaradas em hipotéticas amizades que inevitavelmente abdicamos no dia em que deixamos de existir.
Porque a verdade é que nao queres mais saber de mim, nem queres sequer que eu esqueça o que aconteceu e ponha de lado as bocas e insultos, não queres que eu admita nada, até porque sabes que nada disso altera nada.
A verdade é que inconscientemente apenas queres saber como estou a viver sem ti. Como lido com tudo o que se passa à minha volta sem pegar no telemóvel para te ligar e pedir ajuda.
Eu explico-te: quando a merda dos problemas parecem não mais acabar, tudo o que preciso nesse momento é ouvir a tua voz, e sim, pego no telemóvel, procuro o teu número... mas ele já lá não está. Eu apaguei-o. Não posso apagar as nossas memórias, mas posso apagar o teu número, e impedir-me de prolongar esta pseudo-dependência que ao longo dos tempos desenvolvemos. E o que é certo é que eu estou a dar-me bem com isto. Posso desatar a chorar quando não encontro solução para tudo, mas estou a aprender precisamente isso... que não tenho de lidar com tudo. E estou a sair-me muito bem sozinha.
Portanto só gostava de saber o porquê de nos termos tornado tão cínicos?
Nenhum comentário:
Postar um comentário