quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Estás espalhado por todos os cantos do meu dia. Quando olho para o meu portátil e vejo que precisa de uma limpeza. Quando vou ligar o carro e me lembro que tenho primeiro de ver a luzinha a desligar para não estragar o motor. Quando tomo o pequeno-almoço e vou buscar uma chávena, e vejo a chávena que me deste (que não uso, mas que é a única coisa que não consigo deitar fora). Quando vou para as minhas reuniões e tenho de inevitavelmente de passar pela tua ex-casa. Quando tomo café e vejo os pacotes de açúcar com que costumávamos gozar. Quando sinto fome ao meio da manhã ou ao meio da tarde, mas que não como, porque tu eras a única pessoa que me fazia parar o meu trabalho para lanchar. Quando pego numa peça de roupa preta e me lembro que odiavas que eu vestisse preto – e o mesmo se passa quando compro uma peça rosa ou vermelha e penso que me ias adorar ver com ela vestida. Isto já para não falar do Jornal que passei a comprar de manhã, porque no princípio me fazia lembrar de ti, mas que agora não consigo passar sem ele. Já viste o bom que foi para ti teres mudado de cidade? Teres deixado o carro? Não termos de nos cruzar no café, nem à hora do lanche? Não teres de me ver de preto e pensares que não tenho emenda, ou me veres com uma peça rosa e pensares que bem que ela me fica? E o Jornal? Ainda bem, para ti, que mudaste de cidade…

Afinal, talvez tenha sido para evitar tudo isso que decidiste sair da minha vida sem me o conseguires dizer cara-a-cara. Entre nós tudo se resolvia aos primeiros dois minutos… e tu ainda hoje tens essa consciência.

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