Escrevo na esperança de te esquecer. Quando eu era pequena a minha mãe dizia que quanto mais eu falasse do que tinha medo, menos medo ia sentir, porque se tornaria algo banal. Já tentei falar, mas já não há ninguém disposto a ouvir-me, dizem que tenho de te esquecer. Irónico. Era precisamente isso que eu queria. Por isso, escrevo. Com esperança. De te esquecer.
Escrevo na esperança de deixar de ter medo de encarar os meus dias sem ti. Escrevo na esperança de deixar de ter medo de que me tenhas esquecido. Escrevo na esperança de que quanto mais escrever, mais banal se vai tornar este sentimento. Escrevo na esperança de te esquecer. Porque apesar de dizerem que o tempo cura tudo, os meus dias não estão a melhorar, esta é a realidade. Não está a ser mais fácil. Escrevo na esperança de que os meus dias se tornem mais fáceis, e que o facto de já não estares seja algo banal, ultrapassável, fácil de aguentar.
Não escrevo na esperança que leias ou que voltes para mim. Escrevo na esperança de quanto mais escrever sobre ti, menos existas. Que te transformes numa qualquer personagem de um qualquer filme, e que te esqueça com a mesma força com que dói quando de manhã acordo e tu não estás. Preciso de esquecer a forma como me olhavas, como me beijavas quando achavas que eu estava a falar demasiado, ou como me abraçavas no teu peito quando eu não queria ir embora. Escrevo na esperança de esquecer que algum dia também estive nesse filme.
Não escrevo para que me compreendam, nem para perturbar ninguém com a minha repetição. Escrevo, egoisticamente, na esperança de tornar os meus dias melhores. Escrevo na esperança de te esquecer.
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