terça-feira, janeiro 31, 2012

# Do passado

"As vezes acordo a questionar-me se hoje é o dia em que te vais cansar dessa tua nova vida e vais perceber que era ao meu lado que eras feliz.

As vezes questiono-me se não te vêm à cabeça as mesmas imagens que atormentam os meus dias. Porque tu também lá estavas.

Pergunto-me se não tropeças em coisas que te dei e não vês o que estamos ambos a perder com esta merda toda.

Será que não sentes saudades minhas? Será que o teu subconsciente já me esqueceu e não sonhas comigo?

Quando falas com ela, nunca lhe trocas o nome? Já não tens o meu nome debaixo da lingua?

A nova cidade, o novo trabalho, a nova namorada, o novo quarto, a nova casa… fazem compensar o que deixaste para trás? Serão merecedores do meu sofrimento?

Será que já esqueceste o que um dia me disseste? Que por muito que eu quisesse ser ausente ou afastar-me de ti, me ias amar sempre?

Será que algures nos dias em que te mudaste para aí, caíste, bateste com a cabeça e esqueceste tudo o que aqui ficou?

Será que falas com ela sobre mim? Saberá ela que eu existi tantos anos na tua vida? Que fui a tua namorada e a tua melhor amiga? Será que ela sabe dos planos que tu tinhas? Será que ela é mais digna desses planos que eu? Será que ela se vai dar ao trabalho de te preparar uma festa de anos, só para que te sintas em casa? E te vai mandar mensagens estúpidas ao longo do dia?

Não será uma monotonia a falta de discussões políticas, como nós tínhamos?

Será que agora tens a felicidade que procuravas? Será possível conseguir isso em tão pouco tempo?"

Tudo isto faz parte do tormento dos meus dias. Segui em frente, mas assusta-me demasiado pensar que um dia posso tropeçar em alguém como tu, alguém que desiste do melhor sentimento do mundo por nada, ou que consegue ser tão manipulador que nos faz sentir que esse sentimento algum dia existiu.
Assusta-me pensar que há mais pessoas como tu por aí.

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