Vieste e foste, ignoro se poderás voltar.
Ontem, ao partires, não reparaste que me deixavas menos feliz.
Embora tudo ficasse feito e decidido não sei que incompletude me abalou – talvez a espera. Perdi-me absurdamente no caminho e, por momentos,
a luz libidinal do teu pensamento fugiu de mim.
As coisas deixaram a concretude com que sempre as tinha conhecido.
Sem perspectiva, nem letra.
Ao regressar à terra, não quis escrever no teu caderno.
Arranquei-lhe apenas esta folha. Fui um pobre corpo.
Rasguei-me a mim próprio e quis deitar-me fora.
Por isso te deixo este bilhete.
Vieste e foste.
Não foi por isso que te amei menos.
Em mim, não se realizou a tua conjectura sobre a ressurreição da carne.
Reconhecerás tu, neste impulso da visão, uma carta de amor?
Maria Gabriela Llanson
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