sexta-feira, maio 22, 2009

Porque o desejo é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe.



Não dizia palavras,

Aproximava apenas um corpo interrogante,

Porque ignorava que o desejo é uma pergunta

Cuja resposta não existe,

Uma folha cujo ramo não existe,

Um mundo cujo céu não existe.

Entre os ossos a angústia abre caminho,

Ergue-se pelas veias

Até abrir na pele

Jorros de sonho

Feitos carne interrogando as nuvens.

Um contacto ao passar,

Um fugidio olhar no meio das sombras,

Bastam para que o corpo se abra em dois,

Ávido de receber em si mesmo

Outro corpo que sonhe;

Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,

Iguais em figura, iguais em amor, iguais em

desejo.

Embora seja só uma esperança,

Porque o desejo é uma pergunta cuja resposta

ninguém sabe.


Luis Cernuda

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