Escrevo-te com a convicção de um amor infeliz.
Mais um, pensarás tu.
Talvez seja assim, eu não nasci para isto mesmo. Mas desta vez já não estás ao pé de mim, já não me vais cobrir com um cobertor quando me encontrares no chão do quarto, depois de ter chorado até adormecer...
Tem piada, desta vez não chorei, talvez já estivesse certa do fim...e não me consegui comover...ou talvez simplesmente ainda esteja em fase de negação.
Ri-te. Sou mesmo uma parvinha, e estou a desenvolver uma espécie de retrocesso emocional.Ri-te.
Acho que ainda nos consigo ouvir a rir, depois de fazermos mais uma piada sobre uma ou outra característica irritante de quem me pôs a chorar. Desta vez não, acho que não consigo encontrar nada que me fará rir. Não percebo porque...se porque foi mesmo um amor infeliz, ou se porque só as tuas piadas me faziam rir...
É a terceira vez, sabias? a terceira vez que tenho a certeza que nunca mais o vou querer ver, que ele é a pessoa mais errada para mim, que não presta e que nunca vai merecer o que eu sinto...a terceira vez! tu costumavas-me dizer que nunca se entra na mesma nuvem duas vezes...então o que se passou?... se aqui estivesses passarias a mão pelo meu cabelo, abraçavas-me e eu ia sentir que tudo aquilo ia passar mesmo.
Mas desta vez não. Desta vez não tenho essa certeza.
Podia simplesmente ligar-te, enviar-te esta carta, e esperar que viesses a correr e que tudo fosse como dantes. Mas não posso fazer nada disso. Já crescemos, seguimos em diferentes direcções...e eu não te posso obrigar a adiar a tua vida de adulto para vires ao meu encontro...
Digamos que essa tua posição de homem ocupado, que tanto está em Paris como num avião para Genebra...me impede de te perturbar, acho que seria um egoísmo. Sim, vais ter sempre tempo para mim...mas desta vez não. Desta vez não quero ter de te contar, porque sei que me ias dizer que isto é uma estupidez... que tudo isto podia ter sido evitado e que jamais ia dar certo. Jamais...gostas muito de dizer jamais... e eu gostava de te o ouvir dizer, dava-me segurança...fazias-me acreditar que tudo ia passar sem deixar o minimo rasto... Por isso é que agora não te vou dizer nada...porque desta vez eu não quero acreditar que passa...que vou esquecer...porque não quero esquecer!
Mesmo não estando aqui, obrigada por teres estado em todas as outras vezes...fez-me sentir bem... desta vez.
Mesmo não estando aqui, obrigada por teres estado em todas as outras vezes...fez-me sentir bem... desta vez.
Um comentário:
PLatónica!
eu tb já fui assim ...
ou será que ainda sou?
olha nao me interessa *
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