Neste infinito fim que nos alcançou
guardo uma lágrima vinda do fundo
guardo um sorriso virado para o mundo
guardo um sonho que nunca chegou
Na minha casa de paredes caídas
penduro espelhos cor de prata
guardo reflexos do canto que mata
guardo uma arca de rimas perdidas
Na praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que vi
Falo ao mar do que conheci...
No mundo onde tudo parece estar certo
guardo os defeitos que me atam ao chão
guardo muralhas feitas de cartão
guardo um olhar que parecia tão perto
Para o país do esquecer o nunca nascido
levo a espada e a armadura de ferro
levo o escudo e o cavalo negro
levo-te a ti... levo-te a ti para sempre comigo...
Na praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que senti
Falo ao mar do que nunca perdi.
Um comentário:
"olhando pra lá da porta
procuro tempos doutrora...
viajo por entre as lajes
buscando, o que de mim
há mais lá por fora...
e se muitos dos anos
vivi prezo a este redoma
que com o tempo eu próprio edifiquei!
hj com a mesmo ímpeto
solto todos os seres
e fantasmas
que um dia dislumbrei...
contudo...
o dia já vai longo
e a noite uma certeza!!!
relembro na vida...
os passos plenos de delicadeza ...
sofrem-se as chagas dos
outros e as minhas!
medem-se os tempos e as vontades
os homens e outros animais
nas suas plenas carnalidades!
mas que tudo ñ seja mais que miragens...
e que a todos alegre/contemple ..
e mesmo no fim da viagem...
quando a noite for certeza!
mostraí-me as páginas
de meu livro!
para que nunca perca/esqueça
esta minha pequena alma de poeta!"
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